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Ministério do Meio Ambiente exige reparação ambiental em Vazante

Data da notícia: 03/12/2008

O Ministério Público Federal investiga a extração de metais pesados no município de Vazante, no noroeste de Minas. A exploração é feita pela Votorantim e a suspeita é de que a atividade esteja provocando danos ambientais e doenças na população.

Do alto dá para ver as crateras na região de Vazante, cidade mineira com cerca de 20 mil moradores. Alguns desses buracos, chamados dolinas, chegam a ter 25 metros de profundidade.

- O processo de dolinamento também pode acontecer naturalmente, mas as dolinas também podem se formar por interferência humana, como está acontecendo atualmente na cidade de Vazante ou na região, explicou o geógrafo da Universidade Federal de Uberlândia, Luiz Nishyama.

A interferência humana a que o pesquisador se refere é a extração de zinco. O Ministério Público Federal entrou com Ação Civil Pública para interromper as atividades e responsabilizar a União, o estado de Minas Gerais, o município e a empresa mineradora.

- Já foram feitos estudos, inclusive por profissionais da Universidade Federal de Uberlândia, e essas crateras são resultado do bombeamento excessivo de água no subsolo, disse o procurador da República Cléber Eustáquio Neves.

Segundo a ação do Ministério Público, a mineração afeta também a água da região.

- Zinco, chumbo, arsênio, alumínio, manganês e outros metais, falou o procurador.

É difícil imaginar que um lugar assim possa preocupar quem mora aqui perto, mas preocupa. O Rio Santa Catarina é um dos mais importantes da região. Já foi fonte de riqueza para muita gente, mas hoje, o rio, que é um dos afluentes do Rio São Francisco, assusta a população ribeirinha.

A Ação Civil Pública acusa ainda a empresa mineradora de ser responsável por casos de câncer em Vazante.

- O Ministério Público Federal está preocupado com a saúde de população de Vazante. Há vários casos de câncer de intestino, esôfago, de reto, maior que em outros lugares.

Uma vez por semana, pacientes viajam de ônibus 500 quilômetros para buscar tratamento em um centro de referência no estado de São Paulo. Uma casa de apoio foi construída para receber os moradores de Vazante. Quando o serviço foi iniciado, há três anos, eram sete pacientes, hoje são cerca de 40.

- A gente criou essa casa lá achando que ia atender um certo número de pessoas, mas infelizmente o número só tem aumentado, falou o líder comunitário Joel Antônio.

Para a Fundação de Meio Ambiente do estado de Minas, a atividade da empresa mineradora está em situação regular e que os metais presentes na água podem ter uma explicação natural: são parte da composição do solo.

- Algumas regiões apresentam os teores elevados por causa da própria geologia da região, afirmou Caio Márcio Rocha, da Fundação Estadual do Meio Ambiente.

Para o Ministério do Meio Ambiente, a região de Vazante está mesmo contaminada.

- O solo está contaminado, a água está contaminada. Nós temos conhecimento e estamos exigindo a reparação de todo dano e o cuidado com a saúde dessas pessoas e, no limite, se não houver reparo, até encerrar a atividade, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Em nota, a Votorantim afirma que os buracos no solo não são causados pela atividade mineradora, que a água que sai do empreendimento passa por um rigoroso controle de qualidade e não é a mesma água consumida em Vazante. A empresa ainda informou que não há ligação entre a mineração e a incidência de doenças na cidade. A companhia também afirma que cumpre com todas exigências ambientais. A Prefeitura de Vazante diz que não vai se manifestar enquanto não for notificada judicialmente.

Ecodenuncia.org 2009
Denuncia do Crime Ambiental em Vazante MG